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sexta-feira, 24 de junho de 2005

marcaco ou imacone????

Em uma das reuniões pedagógicas da escola, ouvimos a seguinte denúncia: mais que reduzir turmas, a Smed /Gered CS pensa seriamente na proposta de fundir as escolas IMACO e Marconi. O pano de fundo foi desvelado claramente nos textos dos colegas ("Violência e Axé-Music" e "Ao Som do Hip Hop"). A violência (gravíssima) que impera nas escolas mais tradicionais faz decrescer o número de matriculados e a PBH só enxerga um remédio: fusão de turmas. Assim como a Ekipinômica de Lula que só faz subir a taxa básica de juros para conter a possível inflação, a proposta tipo samba de uma nota só, monocromática e superficial, é a única para os educadores da Smed/Gered.

Por outro lado os moradores do entorno do Marconi estão pressionando para terminar com aquilo que entendem ser um dos focos de violência da região. Agora pode acabar: já passou o tempo em que as famílias de classe média ficavam na fila para colocar seus filhos no Marconi. "Está muito misturado", diz a elite santagostiniana. "Agora ali estudam negros e favelados". O antigo colégio Técnico do Parque Municipal passa também por pressão, de igual teor, mas de outro segmento: os ambientalistas de escritório.Gente que não passa perto de mato desde a adolescência e que confunde preservação de gatos com ecologia e educação pública com assepsia social. Entende de direito ambiental e cosmologia mas odeia humanos por perto. Gente inocente e perigosa, que assiste em seus confortáveis sofás o "Discovery Chanel" e se acha expert em meio ambiente e políticas públicas (inclusive educação).

Me lembrei de quando o IMACO ocupou o antigo prédio da odontologia da UFMG, na Cidade Jardim. Vi certa vez uma passeata pela paz na Prudente de Morais. Era gente de posses e não baderneiros em greve. Se me lembro bem foi na ocasião da morte do promotor Lins do Rego.Carregavam faixas. "Quanto será que pagam às suas empregadas domésticas?"- Foi o que me veio à mente..."quanto custa a sua paz?". Passado algum tempo, os meninos da escola arrancaram vasos de flores da praça em frente a escola. Chegaram a arrancar também o rabinho dos porcos de bronze que enfeitavam a praça. A reação não tardou: reclamações com a diretoria e com a prefeitura. Onde já se viu, meninos da periferia na Cidade Jardim....olhei para os que reclamavam e constatei...eram porcos de bronze, e os meninos ousaram tocar em suas caudas rígidas e bronzeadas.

Pergunto hoje :

Quando vamos discutir as causas em vez de tratar os sintomas? Quando alguns diretores (ou candidatos a ) deixarão de pensar em fazer campanha e começarão a pensar nas escolas, nos estudantes, nos professores e na RME? Quando os diretores da RME começarão a pensar como corpo sem estar a mercê da agenda da PBH?

Quando alguns professores começarão enxergar que evasão, violência, infrequência, má qualidade, têm a ver conosco, com nossas vidas, com nossa profissão?

Quando faremos a PBH a rever sua política equivocada de inclusão (que inclui uma minoria e expulsa os demais)?

Quando a categoria e o nosso sindicato entenderão o noturno como prioridade, ele que é tratado hoje como filho bastardo da filha feia do Estado (a educação)?

Quando teremos uma interlocução clara com a classe média, mostrando para esta gente que escola pública é ponto de partida para resolvermos este país grande e bocó?

Voltará enfim o dia em que nós professores, mais que os gestores da PBH, poderemos retornar com nosso filhos e filhas para a escola pública como opção, e não como falta desta, como escolha de classe e não como consequência da nossa miserabilidade?

Pensaremos sempre como a mocinha do seriado do Chapolim Colorado ("e agora, quem poderá nos defender?" Rogério, Neila, Sindicato, Promotoria, Don Valmor?) ou tomaremos nós as rédeas da escola pública?

Enquanto não temos resposta para isto, continuarão as patéticas passeatas contra a violência e pela paz (como se os bandidos atendessem reivindicações). Continuará a PBH contratando Guardas Municipais (já que o governador não tem competência para resolver a questão da segurança) querendo se mostrar competente em algo que não é sua obrigação constitucional. Isto ao mesmo tempo que afirma não ter recursos para o que é sua obrigação.

E restará a nós, do Imaco e do Marconi, discutir o possível nome para a mais nova escola da RME: Imacone ou Marcaco?

Prof. Geraldinho
IMACO - 3o turno.

3 comentários:

Nós professores disse...

Seu texto é extremamente lúcido. Tem faltado, de grande parte dos atores relacionados com a "filha feia do estado", a percepção de que a escola pública é hoje mais que um serviço público, é um cadinho da realidade sócio-econômica, com suas mazelas, mas também com suas grandezas. Obrigado por ser um dos que ajuda a nivelar "por cima" esse espaço de discussão.
Halem. E.M.L.A.

Nós professores disse...

Já começaram a redução de turmas nas citadas escolas: no segundo semestre de 2005 a Imaco perderá 03 e a Marconi perderá um número de turmas ainda a definir.

Vera Lúcia

Anônimo disse...

e a direção destas escolas, o que dizem para seus colegas professores?