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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

SIMAVE, QUE SIMAVE?

Olá, senhores e senhoras especialistas em Educação,

Como devem saber, o Simave – Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública foi instituído pela Secretaria de Estado da Educação em 2000, o Simave é composto pelos programas de avaliação “Proalfa” e “Proeb”, ambos censitários. As avaliações são promovidas pela Secretaria de Estado de Educação e realizadas por instituições externas vinculadas a universidades federais sediadas em Minas Gerais.

A intenção declarada é que os “resultados dos programas de avaliação em grande escala serão (SERIAM) utilizados como instrumentos importantes para a gestão do sistema público de Educação em Minas Gerais, pois levanta(RIA)m dados para o diagnóstico sistemático da rede pública de ensino e fornece(RIA)m informações para subsidiar a definição de políticas educacionais e o planejamento de suas ações”.

O Programa de Avaliação da Educação Básica, Proeb, testa(RIA) anualmente os conhecimentos de Língua Portuguesa e Matemática dos alunos das 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.
Em Belo Horizonte, muitas escolas municipais participaram do Proeb ontem, dia 05 de novembro. A avaliação, cercada de mistérios (os docentes não podem ler a prova e membros do Colegiado escolar são escalados como fiscais de turma) foi aplicada em turmas de estudantes com cerca de 10 anos de idade.

Alguém resolveu, reservadamente, fotocopiar uma página da referida avaliação secreta. Qual não foi sua surpresa quando encontrou algumas questões como a abaixo:

“30 - O (a) professor (a) continua a explicar ATÉ que TODOS os alunos entendam a matéria.”
“36 - O (a) professor (a) ajuda mais a uns do que a outros alunos.”
“37 - O (a) professor (a) FALTA às aulas.”
“39 - O (a) professor (a) dá as notas de maneira JUSTA.”
“40 - O (a) professor (a) costuma passar tarefas CHATAS.”

As opções de respostas a serem marcadas pelo “avaliado” eram: “(A) - em todas as aulas”; “(B) – Na maioria das aulas”; “(C) Em algumas aulas”; “(D) Nunca”.

Será que a equipe ou os “experts” em educação que elaborou/elaboraram esta avaliação não se questiona(m) sobre a validade dos alunos julgarem as aulas do (a) professor (a) na base do que é CHATO ou não?

Pareceu-me que os especialistas em questão crêem que é possível livrar os alunos das aulas CHATAS. E do resto das coisas chatas? Estudar pode ser um porre para a maioria dos alunos. Poderiam optar por NÃO ESTUDAR? Ler alguns livros pode ser CHATO. Talvez seja melhor estar na frente da TV ou do “videogame”...

Será possível nos livrar de tudo que é chato? Levantar cedo, responder às chefias a tempo e a hora, trabalhar todos os dias, ganhar pouco e trabalhar muito? E ter que dar ouvidos aos políticos e seus capatazes que nunca mais voltaram a uma escola básica, nem para visitar, depois que assumiram seus cargos, isto não é CHATÉRRIMO?

E teria um aluno de dez anos um conceito claro do que é JUSTO ou não? È JUSTO mamãe me colocar de castigo sem ver TV por não ter feito a tarefa escolar? É JUSTA a forma como as crianças pobres são tratadas neste Brasil grande e besta, sem escola decente e sem perspectivas para a infância? É justo o salário dos gestores públicos de primeiro escalão? E dos legisladores e juristas de alto coturno? E o salário do pai da criança, é justo? O Mundo é JUSTO? O Mundo deve e será JUSTO algum dia, senhores especialistas?

E ainda: As “FALTAS” dos docentes às aulas, deve ser controlada pelos meninos e meninas? Será que esta “FALTA” está sendo tratada de forma JUSTA? O adoecimento dos docentes, o fenômeno do “docente doente” está deixando a sociedade demente e o governo inclemente? E o aluno repetente?

Saberá o especialista, contextualizar a “FALTA” do professor às aulas, de maneira a tratá-la de maneira adequada, sem responsabilizar o servidor pelos seus próprios males? Ficarão a mulher trabalhadora e o homem trabalhador doentes por escolha própria?

Há por trás de pelo menos uma das questões do SIMAVE acima transcritas a crença de que o (a) professor (a) deve explicar ATÉ que TODOS entendam. Isto é possível na escola atual? Nesta escola fragmentada e dividida que vivenciamos? Dividida entre executores e pensadores? Onde o docente não pode planejar de forma satisfatória e onde o encontro entre educadores é desestimulado e até impossibilitado?

Muitas perguntas. Muitas impertinentes até. Mas foram vocês que começaram a brincadeira!
E para completar, deixo aqui algumas sugestões de perguntas (e respostas) a serem feitas aos filhos da classe trabalhadora no próximo SIMAVE, ou seja, lá que nome tenha:

1- O transporte coletivo que liga seu bairro ao bairro vizinho ou ao centro, tem ônibus limpos, de tarifas baratas, acessíveis, tem arejamento e temperatura adequados:
a) de vez em nunca; b) nunca; c) nunca mesmo; d) “nunquinha”; e) jamais;

2- Quantas vezes um vereador, secretário de educação, prefeito, (alguém do governo), esteve em seu bairro fora do período de campanha eleitoral?
a) de vez em nunca; b) nunca; c) nunca mesmo; d) “nunquinha”; e) governo, que governo?

3- O salário de seu pai dura em média: a) um dia e meio; b) um bar; c)um bar e meio; d) salário? Que que é isso, fessô? e) tia, não tenho pai, tenho que responder assim mesmo?

Caros especialistas, sinto interromper este texto, pois tenho que ir para a sala: a sirene tocou....afinal, alguém tem que cumprir a missão de BEM EDUCAR os meninos e meninas de BH...


Prof. Geraldinho
IMACO e Diretoria Colegiada do Sind-REDE

5 comentários:

profpublico disse...

Eu pedi que me enviassem ou disponibilizassem a avaliação no site.
SEE/MG - Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais
FALE CONOSCO

Prezado(a) Usuário(a),
Modesta Trindade Theodoro

Sua mensagem foi encaminhada para o setor responsável. Gentileza aguardar o retorno em até dois dias úteis.

Número do Protocolo: 2008002881
Prazo para encaminhamento ao setor responsável: 2 dias úteis.

Subsecretaria de Informações e Tecnologias Educacionais.

Atenciosamente,
Sônia Andére Cruz

WoodsonFC disse...

Clap Clap Clap, manda ver Geraldinho!!!!

Anônimo disse...

Ah! A mensagem que enviei foi a seguinte: "Sobre SIMAVE - Vocês poderiam me enviar ou disponibilizar no site a avaliação aplicada?".
Apenas isto, nada mais. Fiquei com vontade de lê-la na íntegra. Costumo ler as do Saeb, o MEC disponibiliza alguma coisa, não tudo.
Modesta.

Anônimo disse...

Oi Geraldinho,
creio que o sindicato leu esta publicação. Observe o primeiro parágrafo "profissionais da educação..." e penúltimo parágrafo, sobre "questionário contextual".
Coordenadores/as (eleitos/as), diretores/as (eleitos/as) estavam lá. Seu texto está muito bom, mas como fica?
Modesta

Diário Oficial do Município
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008Ano XIV - Edição N.: 3205
Poder Executivo
Capa
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO PARTICIPAM DE TREINAMENTO SOBRE O SIMAVE/PROEB
A Prefeitura, por meio da Gerência de Avaliação de Políticas Educacionais da Secretaria Municipal de Educação, realizou ontem, no auditório da Escola Municipal Arthur Versiani Velloso, no bairro Santo Antônio, o Treinamento Simave/Proeb 2008. A formação reuniu cerca de 360 profissionais da educação, entre eles diretores, coordenadores pedagógicos do 2º e 3º ciclos do ensino fundamental e ensino médio e equipes de acompanhamento das gerências regionais de Educação.

O objetivo da formação foi capacitar os profissionais para a aplicação das provas do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Básica/Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica de Minas Gerais (Simave/Proeb) deste ano. “O treinamento enfati­zou os procedimentos de aplicação dos exames. Analisamos os manuais de orientação e tiramos as dúvidas dos participantes quanto aos exames e à organização da escola, tratamento correto do material, distribuição e recolhimento das provas, lacre e envio dos malotes”, explicou o professor Sérgio Eustáquio da Silva, membro da Gerência de Avaliação.

Avaliação

O Simave/Proeb visa avaliar o desempenho acadêmico de todos os alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, além de colaborar no planejamento pedagógico das escolas e possibilitar a análise do sistema educacional mineiro como um todo, contribuindo para a definição e redefinição de políticas educacionais. Em Belo Horizonte, cerca de 33 mil estudantes farão as provas, que devem ser aplicadas na primeira semana de novembro.

Além das questões que levam em conta as habilidades e competências dos estudantes em língua portuguesa, matemática, ciências humanas e ciências da natureza, o Proeb utiliza outro mecanismo de avaliação: o questionário contextual. Aplicado aos alunos, professores e diretores, o questionário possibilita o levantamento de informações sobre a gestão das unidades escolares, o perfil dos profissionais da educação e estudantes atendidos, bem como sobre recursos e serviços disponíveis nas escolas.

A avaliação do Simave/Proeb é focalizada na instituição de ensino. Assim, os resultados referem-se ao total de alunos avaliados em cada escola e não levam em conta os desempenhos individuais dos estudantes.

Anônimo disse...

Sou professora de português efetivada pela rede pública estadual e tive a oportunidade de ver a prova do 3°ano do ensino médio de português.Era, simplesmente, de gargalhar(!). O mais difícil era preencher o questionário para detonar o pobre professor(!). Triste sina,triste missão...